brinquedo típico de parques de diversão. formado de duas rodas paralelas que giram em torno do mesmo eixo, suspensas em duas torres verticais e sustentando em suas circunferências bancos oscilantes para duas ou mais pessoas.


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Terça-feira, Dezembro 04, 2007


7 dias

Pediu um quarto de comprimido.
Dividiu em uma hora.
Em passos secos, rachados, áridos.
Fez o seu banquete de esperas.
Já que tarda destes homens a distância de seus ternos,
já se afasta de teu ombro como se nenhuma culpa tivera.
Beba a ignorância desse chão.
Molha a vergonha da omissão.
Entre seus argumentos pescados
A náusea das escamas encravadas
A espinha que rasga as verdades
Diante do rio - metais pesados.




rodado por Ana Amorim às 9:10 PM dentro do vagão:

Terça-feira, Novembro 27, 2007




É da lança que meus olhos fogem. Ponta afiada de dominação. E nossos corpos se rasgam quando o estômago grita, e as gargantas secam para que o choro as possa molhar. Anestesie-me com suas esperanças vendidas e termine cada dia confortável em suas superficiais utopias. Mantenha-me na vergonha de poder suportar o que nenhuma outra pele é capaz, de sentir o vento áspero, de beber a água ácida, de queimar minhas asas a cada amanhecer.
Abrace suas conquistas e dúvidas, imperiosamente construídas, levianamente justificadas. A sentença que favorece aos que não têm olhos, a guilhotina viciada para aqueles que nascem esperando as jazidas. Deveria acreditar em suas crenças e rezas? Deveria culpar a minha alma por esses tantos crimes cometidos? Condenar meus sonhos pelas suas ingênuas formas e cores?
Causticar a inocente idéia de igualdade. Ainda me contam sobre a textura das flores quando nos apresentam apenas o acre dos espinhos. Mofa o couro desses animais, renegados pela existência, isolados pela barbárie. As línguas azedas calejam suplicando por um olhar que supere a piedade. A dó não extirpa a dor.
Vocês, tão importantes. Vocês, tão reluzentes. Vocês, tão imponentes. Levantem as coroas e empunhem seus cajados. Cravejados em suas jóias estão os corpos dos mais fracos, nas pelúcias de seus vestes estão as navalhas dos nossos intestinos, nesse seu banquete estão as sobras do nosso suor. Vocês, tão inglorificados. Vocês, tão subservientes. Vocês, tão impotentes. Nós – humanos.


rodado por Ana Amorim às 7:48 AM dentro do vagão:

Sábado, Novembro 24, 2007




e lhe culpo, mais um dia
o que esperas? mordomia?
braço é ferro
vida é metal
punho é serrote
cabeça é prego
e tudo que monta
funde, gira e roda
queima, quebra e cola
arranha, mata e viola
aperta minha pele de papel
o carimbo de minhas horas
tem a cor mais fria...
a minha guerra e sua paz
são feitas de mais-valia...

rodado por Ana Amorim às 10:49 PM dentro do vagão:

Domingo, Novembro 18, 2007


da paleta quebrada
que sequer me pintou...
costurou minhas pálpebras
e o meu corpo desfiou.
eu só leio essas pedras
e as folhas do trigo
eu só sinto o espelho
que carrego comigo.
me escreva uma areia
que não pese em seus ombros
me transforme naquilo
que só existe em seus sonhos
porque me engasga a cegueira
- a córnea vacilante -
que não difere o teu rosto
que não percebe a luz do fogo
que rasga tuas cores
da aquarela vicejante...


para mohamed...

rodado por Ana Amorim às 2:47 AM dentro do vagão:

Sexta-feira, Novembro 16, 2007


na rodoviária .



é pó, é telha, é vidro
é passo tão quadrado
são facas em seus punhos
relógios em retalhos
é vento que não passa
é gente que não sente
e o doce, o sonho, o rosto
esconde entre os dentes
é fardo... é raso... é largo...
são olhos obtusos
são voltas que suplicam
a mudança desses fusos


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